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Mostrando postagens com o rótulo Jacques Prevért
"Você diz que ama a chuva  e fecha a janela. Você diz que ama os peixes  e você os come.  Você diz que ama as flores e você lhes corta os talos.  Então você diz que me ama e eu tenho medo."  (Jacques Prévert).
Canção do Carcereiro Jacques Prevért Aonde vais belo carcereiro Com essa chave manchada de sangue Vou soltar aquela que amo Se ainda for possível E que tranquei Ternamente cruelmente No mais profundo do meu tormento Nas mentiras do futuro Nas bobagens das juras Quero soltá-la Quero que seja livre Até para me esquecer Até para ir-se embora Até para voltar E também para me amar Ou para amar um outro Se esse outro lhe agradar E se ficar um dia sozinho E ela só em idas Guardarei sempre Nas minhas duas mãos côncavas Até o fim dos dias A doçura dos seus seios modelados pelo amor.
Café da manhã Jacques Prevért Pôs café na xícara Pôs leite na xícara com café Pôs açúcar no café com leite Com a colherzinha mexeu Bebeu o café com leite E pôs a xícara no pires Sem me falar acendeu um cigarro Fez círculos com a fumaça Pôs as cinzas no cinzeiro Sem me falar Sem me olhar Levantou-se Pôs o chapéu na cabeça Vestiu a capa de chuva porque chovia E saiu debaixo da chuva Sem uma palavra Sem me olhar Quanto a mim pus a cabeça entre as mãos E chorei.
Amor robô Jacques Prevért Um homem escreve à máquina uma carta de amor e a máquina responde ao homem e à mão como se fosse a destinatária Tão aperfeiçoadas as máquinas a máquina de lavar cheques e cartas de amor E o homem confortavelmente instalado na sua máquina de morar lê com a máquina de ler a resposta da máquina de escrever E na sua máquina de sonhar com a sua máquina de calcular compra uma máquina de fazer amor E na sua máquina de realizar os sonhos faz amor com a máquina de escrever com a máquina de fazer amor E a máquina o engana com o mecânico Um mecânico que morre de rir.
O gato e o pássaro Jacques Prevért Uma cidade escuta desolada O canto de um pássaro ferido É o único pássaro da cidade E foi o único gato da cidade Que o devorou pela metade E o pássaro pára de cantar O gato pára de ronronar E de lamber o focinho E a cidade prepara para o pássaro Maravilhosos funerais E o gato que foi convidado Segue o caixãozinho de palha Em que deitado está o pássaro morto Levado por uma menina Que não pára de chorar Se soubesse que você ia sofrer tanto Lhe diz o gato Teria comido ele todinho E depois teria te dito Que tinha visto ele voar Voar até o fim do mundo Lá onde o longe é tão longe Que de lá não se volta mais Que você teria sofrido menos Sentiria apenas tristeza e saudades Não se deve deixar as coisas pela metade.