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Mostrando postagens com o rótulo Miguel Torga
Depoimento Miguel Torga De seguro, Posso apenas dizer que havia um muro E que foi contra ele que arremeti A vida inteira. Não. Nunca o contornei. Nunca tentei Ultrapassá-lo de qualquer maneira. A honra era lutar Sem esperança de vencer. E lutei ferozmente noite e dia, Apesar de saber Que quanto mais lutava mais perdia E mais funda sentia A dor de me perder.
Súplica Miguel Torga Agora que o silêncio é um mar sem ondas, E que nele posso navegar sem rumo, Não respondas Às urgentes perguntas Que te fiz. Deixa-me ser feliz Assim, Já tão longe de ti como de mim. Perde-se a vida a desejá-la tanto. Só soubemos sofrer, enquanto O nosso amor Durou. Mas o tempo passou, Há calmaria... Não perturbes a paz que me foi dada. Ouvir de novo a tua voz seria Matar a sede com água salgada.
Hora de amor Miguel Torga Vem. Adormece encostada a este braço Mais débil do que o teu. Entrega te despida Nas mãos dum homem solitário Que a maldição não deixa Que possa nem sequer lutar por ti. Vem, Sem que eu te chame, ou te prometa a vida. E sente que ninguém, No descampado deste mundo, tem A alma mais guardada e protegida
Viagem Miguel Torga Aparelhei o barco da ilusão E reforcei a fé de marinheiro. Era longe o meu sonho, e traiçoeiro O mar... (Só nos é concedida Esta vida Que temos; E é nela que é preciso Procurar O velho paraíso Que perdemos). Prestes, larguei a vela E disse adeus ao cais, à paz tolhida. Desmedida, A revolta imensidão Transforma dia a dia a embarcação Numa errante e alada sepultura... Mas corto as ondas sem desanimar. Em qualquer aventura O que importa é partir, não é chegar. P.S.: Não nos curamos nunca de nosso inconsciente. Na teoria é lindo, poético. Na prática é uma merda. "Então você quer dizer que você faz tudo, e nunca é o suficiente?". Não, eu não queria dizer isso. Mas eu disse, agora eu que me vire.