No segundo ou terceiro dia em que conversei com o Mario, ele me deu este texto. Tirou xerox pra mim e tudo mais, num desses rompantes de delicadeza nos quais ele se mostra a pessoa mais amável do planeta (pra logo depois voltar a se fingir de ogro, claro). Ele nem vai se lembrar, mas depois disso o texto passou a ser dele, assim como muitas outras coisas que a gente adora e divide. Então, pro Mario, que anda meio tristinho, Guimarães Rosa: A menina de lá Guimarães Rosa Sua casa ficava para trás da serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes. Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde s...