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Mostrando postagens com o rótulo Maria Teresa Horta
Docemente Maria Teresa Horta Docemente disponho dos teus braços dos peixes que navegam docemente Docemente disponho em minha face a faca dos teus olhos docemente. Docemente canso, disponho do cansaço primeiro do teu afago docemente Docemente afago, a tua boca apago e vou negando a minha docemente.
De amor Maria Teresa Horta Falar da paixão mais do que o sangue Mais do que o fogo trazido ao coração Mais do que a rosa acesa só por dentro revolvendo no peito a ponta de um arpão Falar de febre sem fé do animal feroz Dos líquens abertos e dos lírios Falar desassosego sem razão uma raiva que silva no delírio quanto dói a dor no peito Quanto é contraditória esta prisão que me faz ficar livre no que sinto e logo envenenada à tua mão
Ponto de honra Maria Teresa Horta Não sou escrava de lamento nem tento ferida de enfeite nem uso a raiva que tenho como um alfange no peito Não talho o sangue nas pedras nem uso palavras de ódio e não quero anéis de aceite para enfeitar os meus olhos
As nossas madrugadas Maria Teresa Horta Desperta-me de noite o teu desejo na vaga dos teus dedos com que vergas o sono em que me deito pois suspeitas que com ele me visto e me defendo É raiva então ciúme a tua boca é dor e não queixume a tua espada é rede a tua língua em sua teia é vício as palavras com que falas E tomas-me de força não o sendo e deixo que o meu ventre se trespasse E queres-me de amor e dás-me o tempo a trégua a entrega e o disfarce E lembras os meus ombros docemente na dobra do lenços que desfazes na pressa de teres o que só sentes e possuires de mim o que não sabes Despertas-me de noite com o teu corpo tiras-me do sono onde resvalo e eu pouco a pouco vou repelindo a noite e tu dentro de mim vais descobrindo vales.