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Mostrando postagens com o rótulo Murilo Mendes
Mulher Mulher, o mais terrível e vivo dos espectros, Por que te alimentas de mim desde o princípio? Em ti encontro as imagens da criação: És pássaro, és flor, pedra e onda variável... Mais que tudo, a nuvem que volta e se consome. Dormir, sonhar - que adianta, se tu existes? Se fostes forma somente! és idéia também. Ah, quando descerá sobre mim a paz antiga. Murilo Mendes
A desconsoladora Mulher, eu te procuro continuamente. É mais fácil achar Deus do que te  achar. Tenho por ti uma grande atração e repulsão - ao mesmo tempo. Eu adormeço com teu amor e deperto com o ódio a ti. E te destruo e te  construo a todo o instante. Hás de me perseguir até a imortalidade. A paz da mulher não é a paz de  Deus. A mulher não é o amor. A poesia é o amor. A poesia da ausência da mulher  é equivalente à poesia da posse da mulher. Murilo Mendes
Manhã As estátuas sem mim não podem mover os braços Minhas antigas namoradas sem mim não podem amar seus maridos Muitos versos sem mim não poderão existir. É inútil deter as aparições da musa É difícil não amar a vida Mesmo explorado pelos outros homens É absurdo achar mais realidade na lei que nas estrelas Sou poeta irrevogavelmente. Murilo Mendes
A uma mulher Murilo Mendes Não tendo podido te criar Nem tendo sido criado por ti Eu me vingo do destino enxertando-me no teu ser. Jamais conseguirás te libertar de mim Porque eu te sitiei com a chama do amor, Porque rondei durante dias e noites o Coração de Deus A fim de extrair dele o segredo da ternura. Todos os que te olham pensam logo em mim, Todos os que me olham pensam logo em ti. Eu sou tua cicatriz que nunca se há de fechar. Eu te perseguirei até depois da minha morte E virei a ti no murmúrio dos ventos, no lamento das ondas, Na angústia e na alegria dos poetas meus sucessores, Nas almas grandes limitadas pelo físico. Sentado nas nuvens eternas eu te esperarei E me nutrirei através dos tempos da nostalgia de ti.
Poema do fanático Murilo Mendes Não bebo álcool, não tomo ópio nem éter, Sou o embriagado de ti e por ti. Mil dedos me apontam na rua: Eis o homem que é fanático por uma mulher. Tua ternura e tua crueldade são iguais diante de mim Porque eu amo tudo o que vem de ti. Amo-te na tua miséria e na tua glória E te amaria mais ainda se sofresses muito mais. Caíste em fogo na minha vida de rebelado. Sou insensível ao tempo - porque tu existes. Eu sou fanático da tua pessoa, Da tua graça, do teu espírito, do aparelhamento da tua vida. Eu quisera formar uma unidade contigo E me extinguir violentamente contigo na febre da minha, da tua, da nossa poesia.
Poema do fanático Murilo Mendes Não bebo álcool, não tomo ópio nem éter, Sou o embriagado de ti e por ti. Mil dedos me apontam na rua: Eis o homem que é fanático por uma mulher. Tua ternura e tua crueldade são iguais diante de mim Porque eu amo tudo o que vem de ti. Amo-te na tua miséria e na tua glória E te amaria mais ainda se sofresses muito mais. Caíste em fogo na minha vida de rebelado. Sou insensível ao tempo - porque tu existes. Eu sou fanático da tua pessoa, Da tua graça, do teu espírito, do aparelhamento da tua vida. Eu quisera formar uma unidade contigo E me extinguir violentamente contigo na febre da minha, da tua, da nossa poesia.
A desconsoladora Murilo Mendes Mulher, eu te procuro continuamente. É mais fácil achar Deus do que te achar. Tenho por ti uma grande atração e repulsão - ao mesmo tempo. Eu, adormeço com teu amor e deperto com o ódio a ti. E te destruo e te construo a todo o instante. Hás de me perseguir até a imortalidade. A paz da mulher não é a paz de Deus. A mulher não é o amor. A poesia é o amor. A poesia da ausência da mulher é equivalente à poesia da posse da mulher.
Abstração e amor Murilo Mendes Aproxima-te de mim, dá-me as mãos delicadas E descansa a cabeça em meu ombro. É melhor que não desnastres os cabelos, Os louros, finos e obedientes cabelos - Essa parte dignificada do teu corpo, A que melhor resistirá à morte. Hesito entre o lado diurno e noturno do teu ser. Aos olhos do homem tu és apenas decorativa, Mas eu pressinto claramente em ti A que tem o pudor da sua profundidade, A que espera a anunciação dum forte drama Que dividirá a vida como espada de dois gumes. Talvez seja mais belo e favorável à poesia Que nunca te manifestes totalmente a mim E que continuemos a nos ver na obscuridade Para que eu, guardando a eterna nostalgia de ti, Jamais possa me sentir saciado. Todos são fascinados pela tua vida visível, Pela tua aparente suavidade. Todos são fascinados pelo teu nome: E ninguém conhece teu verdadeiro nome. Há entre mim e ti zonas de sombra Contornadas por anjos divinatórios. Há entre mim e ti o mínimo necessário Para assegurar tua invi...
O namorado e o tempo Murilo Mendes O namorado contempla O corpo da namorada. Vê o corpo como está, Não vê como o corpo foi Nem como o corpo será. Se aquele corpo amanhã Mudar de peso, de forma, Mudar de ritmo e de cor, O namorado, infeliz, Vai sofrer mesmo demais: Não calculou o futuro, A mulher quebrou o encanto, Ele só vê a mulher No momento em que a vê.
O utopista Murilo Mendes Ele acredita que o chão é duro Que todos os homens estão presos Que há limites para a poesia Que não há sorrisos nas crianças Nem amor nas mulheres Que só de pão vive o homem Que não há um outro mundo.