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Mostrando postagens com o rótulo Milly Lacombe
Nossa doce rotina Milly Lacombe. . Eu digo que te amo. Você me pergunta, deitada em mim, sorrindo aquele sorriso que é só seu – e, em meus devaneios egocêntricos, também meu – por que. E são tantos os motivos que eu não sou capaz organizá-los em uma lista, como pede sua apaixonante sensatez. Ainda mais quando sou desafiada por esse tal sorriso que desarma – e, na seqüência, arma. Ainda mais quando tenho você em mim, só para mim, mais minha do que jamais alguém foi – cabelos descansando sobre o meu peito, mãos passeando pelo meu corpo, olhos vasculhando minha alma. Como raciocinar com um barulho desses? Então, para seu entretenimento, e para manter esse sorriso me olhando, vou jogando motivos no universo, sem método ou lógica. Mas, sozinha no silêncio do meu quarto, pensando em você, e nos motivos que me levam a te amar desse jeito tão puro, tão forte, tão sincero, fica muito fácil responder. Eu te amo porque você chegou sorrateira, como quem não quer nada, mas vestida desse sorriso qu...
Viva a ignorância De Milly Lacombe. O que aconteceria se a ignorância fosse, como que por mágica, eliminada da face da terra. No dia seguinte tudo seria questionado: dogmas, verdades absolutas, sistemas políticos, econômicos, sociais e religiosos. A quem interessa, portanto, a manutenção da ignorância? Estado, Indústria e Igreja vivem da nossa pouca capacidade de reflexão. Porque somos ignorantes, é possível que campanhas políticas nos convençam de mentiras absurdas. A campanha presidencial para a reeleição de nosso notável comandante vem aí. E é de se espantar que, mesmo que o povo tenha acesso a escabrosas informações sobre como o atual governo faz negócios e trabalha o dinheiro público, o líder molusco comece a corrida com mais de 50% de intenção de voto. O que justifica isso? Apenas nossa invejável capacidade de continuar ignorantes. Ignorantes a ponto de achar que um metalúrgico semi-analfabeto, ligado a ex-guerrilheiros amantes de Cuba, poderia nos salvar. Se antes falar mal da p...
Ontem eu morri De Milly Lacombe Três coisas me deixam em pânico: a idéia de que eu um dia vou morrer, a idéia de que aqueles que eu amo um dia vão morrer e, acima de uma e da outra, a possibilidade real de topar com uma barata em algum canto da casa. Quanto à barata, não há o que fazer a não ser selecionar as companhias de vida eliminando do convívio aquelas incapazes de matá-las. Não existe, para mim, amor que resista à falta de disposição para tascar o chinelo no diabólico inseto (e, na sequência, me mostrar o cadáver – exigência que surgiu depois de ter sido enganada várias vezes). Mas, para tentar driblar esse paranóico medo de morrer não pude contar com a ajuda de terceiros. Fui então obrigada a desenvolver uma técnica que depois de um tempo se mostrou invejável: me convenci de que jamais morrerei. É muito simples, na verdade. Basta acreditar que a morte não existe e que, mesmo que alguns de seus entes queridos aparentemente já tenham sido supreendidos por ela, isso jamais aconte...
É um texto sobre um amor entre duas mulheres, mas poderia ser qualquer amor. . Agradecimentos De Milly Lacombe. (do site "Blônicas") Chegamos à hora dos agradecimentos. Trata-se do grande final, da apoteose dramática, do inevitável e dolorido exercício de lembrar por que nos apaixonamos. É o pente fino na relação, o inventário de tudo o que fomos, o último ato. Feito isso, podemos baixar as cortinas e dar o espetáculo por encerrado. Sofisticadamente, como se espera das paixões doces, verdadeiras, belas e sem futuro – aquelas que ocorrem em teatros vazios, mas que, nem por isso, devem ser menos aplaudidas. Daqui, da solidão desse palco em que me encontro agora, meus mais sinceros agradecimentos. Antes de mais nada, obrigada por ter me dado esse ingresso, por ter me recebido, me convidado a sentar e me deixado ficar. Obrigada por ter me lembrado que a vida pode ser mais divertida, mais intensa, mais musicada e florida. Obrigada pelas noites quentes, pelas cervejas geladas, pelo...