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Roxo
Guimarães Rosa

Deixa que o levem, agora,
que a mulher cristã da sala
já quer ir embora...
Ela desceu dos teus olhos de choro,
magnética e profunda, como um rastro
de ametistas mortas...
Passou pelas olheiras fundas,
pousou nos ramalhetes de saudades,
tocou nas fitas das coroas, longas
como equimoses...
E agora, vê: vai passeando,
de leve, pelos lábios, pelo rosto,
pelo corpo,
pelos dedos, duros do teu esposo morto...
Ela quer ir embora...
Deixa que o levem, agora...

Comentários

Isabella disse…
Poxa, esse poema é lindo. Emotiva, chorei quando li pela primeira vez.

"Ela que ir embora..
Deixem que o levem, agora.."

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"Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total". Tem Lacan pra estudar, mas G. Rosa não tá deixando.
Estou viciada nestes contadores de visitas do blog. Se a pessoa entra aqui, por exemplo, de Miami usando o computador de determinada empresa, eles avisam. Se viajou para São Paulo e entra usando um iPad, eles detectam também. É bom saber quem está aqui sempre. Tem os que nunca me viram e passam a gostar de mim pelo que eu posto. Tem os que me odeiam sem nunca ter me visto e entram pra tentar me conhecer (sempre mulheres, porque mulher é expert em não ver e não gostar de outra mulher, que coisa). E tem a grande maioria, que já gosta de mim e vem dizer "oi" e fazer companhia. Eu adoro a tecnologia. E adoro que haja vida por trás dela. Obrigada, contadores de visita! I love you!