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"As cobras", Veríssimo
Saudades Florbela Espanca Saudades! Sim... talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte Que bem pensara vê-lo até à morte Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?...Ah! Como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte Deve-nos ser sagrado como o pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar Mais a saudade andasse presa a mim!
"As cobras", Veríssimo (várias delas, porque eu adoro e encontrei tirinhas novas!).
"As cobras", Veríssimo.
As cobras, L. F. Veríssimo
Ana Cristina Cesar A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriam para sempre na distância. Parece pouco? Chão de sal grosso, e ouro que se racha. A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância. Lentes escuríssimas sob os pilotis.
Seria o analista um sujeito que sabe o que diz? Não, ninguém sabe o que diz, ninguém sabe os efeitos que tem, no outro, o que alguém diz. Mas, o analista seria um sujeito que sabe que o essencial está entre as palavras e não nas palavras. Um analista - profissão impossível, dizia Freud; estafante, dizia Lacan - é um sujeito que aceita ser responsável pelos efeitos de seu dizer mais além do que diz, não pode se desculpar pelo fato de que não seria isso o que quereria dizer. Jacques-Alain Miller, "Lacan elucidado"
... e a minha vida é tão confusa quanto a América Central por isso não me acuse de ser irracional... Engenheiros do Hawaii, "Infinita Highway".
Os teus pés Pablo Neruda Quando não posso contemplar teu rosto, contemplo os teus pés. Teus pés de osso arqueado, teus pequenos pés duros. Eu sei que te sustentam e que teu doce peso sobre eles se ergue. Tua cintura e teus seios, a duplicada púrpura dos teus mamilos, a caixa dos teus olhos que há pouco levantaram vôo, a larga boca de fruta, tua rubra cabeleira, pequena torre minha. Mas se amo os teus pés é só porque andaram sobre a terra e sobre o vento e sobre a água, até me encontrarem. Alguém aí ganhou esse poema no dia do casamento, lido em público pelo noivo? Alguém? Alguém? Ok, então é só meu. Fim.
Não acredito em espíritos, em gnomos, em anjos, em quase nada que eu não possa ver. Mas acredito em energia boa e má, eu acho. Fiquei pensando nisso porque ver macumba na encruzilhada sempre me dá um medão inexplicável pelo meu ceticismo quase absoluto.
(...) Segundo Ingrid, os militares que se fizeram passar por guerrilheiros para fazer o resgate se camuflaram de tal maneira que vários usavam camisetas com imagem de Ernesto Che Guevara. "Eles falavam como guerrilheiros e se vestiam como eles", disse. De acordo com a ex-refém, a operação começou ao amanhecer, quando os reféns foram informados pelos guerrilheiros de que iriam ser transferidos. Ela disse que nenhum refém suspeitou da operação, e que só se deram conta de que foram resgatados quando um dos supostos guerrilheiros gritou: "somos o Exército da Colômbia, vocês estão livres." (...) . Ingrid Betancourt, refém das Farc por seis anos, libertada hoje na Colômbia.
A arte da cantada permanente - o remake Xico Sá. A cantada, amigos, é como a revolução de Mao Tse-Tung, tem que ser permanente. Existem mulheres que a gente canta no jardim da infância para dar o primeiro beijo lá pelos treze, quatorze. Mas é necessário que a cante sempre, não aquela cantada localizada, neoliberal e objetiva, falo do flerte, do mimo, do regador que faz florescer, como numa canção brega, todos os adjetivos desse mundo. A cantada de resultado, aquela imediata, é uma chatice, insuportável, se eu fosse mulher reagiria com um tapa de novela mexicana, daqueles que fazem plaft! A boa cantada é a cantada permanente. E mais importante ainda depois que rolam as coisas, depois que acontece, aí a cantada vira devoção, oração dos pobres moços a todas elas. Porque cantar só para uma noitada de sexo é uma pobreza dos diabos, qualquer um animal o faz. Porque cantar, à vera, é cantar todas e não cantar nenhuma ao mesmo tempo. Explico: é espalhar pacientemente a devoção a todas as mulhe...
O Fer tinha um blog. Aliás, o blog ainda está lá, o Fer é que se ausentou daquele espaço pra sempre. Uma pena. O texto abaixo é de 2005, período em que ele se mudou para Goiânia e nós dois terminamos, o que acabou, tenho que admitir, sendo um excelente motor para a criatividade do meu atual marido. x x "Surfocado" Fernando Lara x Naquela noite eu estava muito triste. Mais do que nunca, precisava dos meus amigos pra beber até cinco horas da manhã e ouvi-los dizer tudo que os homens dizem quando estão bêbados e com raiva de suas mulheres. O problema é que eu não conseguiria encontrar nenhum amigo num raio de 500 quilômetros e, como se não bastasse, estava morando em um hotel – o lugar mais impessoal que conseguiram inventar até hoje. Meu destino seria ficar no apartamento, sozinho, pelo resto daquela noite de sábado. (...) Pois bem... Ao passar pela varanda do quarto de hotel para regar minhas duas plantas, minhas amigas silenciosas e indiferentes ao meu estado, lembrei da pisc...
Ainda na esteira "fotos": Sim, é ela! Nélida Piñon. Sim, é ele! Fernando Lara. Amores. Ainda mais assim, juntinhos.
Não costumo postar fotos aqui, mas a Cris me escreveu um comentário lindo, aí fiquei pensando na sorte de ter mulheres tão singulares na vida, que dão orgulho de exibir. Na foto, algumas das minhas meninas preferidas, representando várias outras.
Uma coisa é falar de Lacan, outra é ver Lacan falar. Já faz um tempo que alguma coisa mudou em mim pra sempre depois de ler o que esse senhor de camisa e cabelo engraçados tinha a dizer. Achei um trecho no blog da Jô e depois encontrei esse aqui.
"Viaduto das almas" e "curva do sabão", nomes sugestivos das atrações do caminho que faço toda semana na BR-040. Hm. Pois é.
A uma mulher Vinícius de Moraes Quando a madrugada entrou, eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias E a angústia do regresso morava já nos teus olhos. tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne Quis beijar-te num vago carinho agradecido. Mas quando meus lábios tocaram teus lábios Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo E que era preciso fugir para não perder o único instante Em que foste realmente a ausência de sofrimento Em que realmente foste a serenidade.
Com atraso e já com saudades, uma foto do visual da minha lua-de-mel. Update: a foto é da costa oeste dos Estados Unidos, na Califórnia, na estrada que liga Los Angeles a San Francisco.