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Os teus pés
Pablo Neruda

Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.


Alguém aí ganhou esse poema no dia do casamento, lido em público pelo noivo?
Alguém? Alguém? Ok, então é só meu. Fim.

Comentários

Anônimo disse…
Você foi a noiva mais linda já vista na face da Terra. E eu desconfio que seja a mais amada. Festa perfeita, noivo apaixonado, gente linda, banda ótima... e você brilhando, como sempre.
Gui
Anônimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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"Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total". Tem Lacan pra estudar, mas G. Rosa não tá deixando.
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