30.10.11



Você quer voz ou ritmo? Elas têm os dois de sobra.

24.10.11



Houve vazamento de óleo em praias da Nova Zelândia e pinguins quase morreram de frio. Aí tricoteiras fizeram casaquinhos pra eles usarem até o óleo ser retirado do corpo de cada um.
E o mais lindo é que é verdade!

19.10.11


O passado é agorinha
Ana Guadalupe
a solução para os desastres do presente
é falar do agora com o distanciamento de uma década
dias de tardes longas ou infinitas semanas
recortar o agora e mandá-lo em carta histórica
para outro continente enquanto se descobre este
cria-se um tempinho para que o conheça com calma
aplicar um filtro de antiguidade no agora
empregar tecnologia, tempo verbal e a colaboração de todos
grato, ass: o síndico
ótimo álibi para tudo dizer sem problema:
“ontem gostei muito deste livro sobre o sucesso na vida noturna”
“pensei em você durante horas, já passou caso não queira”
“do contrário confesso que tudo continua”
qualquer besteira será automaticamente redimida
já faz tempo, tudo muda, você pode ser nova pessoa
o que falei há pouco já está na quinzena passada
há uma linha era ok ser idiota
Poema perto do fim
A morte é indolor.
O que dói nela é o nada
que a vida faz do amor.
Sopro a flauta encantada
e não dá nenhum som.
Levo uma pena leve
de não ter sido bom.
E no coração, neve.

Thiago de Mello

11.10.11


Trapézio
Ana Martins Marques

Uma vez vendo um número de circo
apenas razoável
à noite
numa praça do interior
(tédio e susto, alcoóis fortes, lua baça)
foi que eu me dei conta de que
nunca houve um trapezista
que não estivesse apaixonado.
Todos os poemas são de amor.

Em branco
Ana Martins Marques


Dizem que Cézanne
quando certa vez pintou um quadro
deixando inacabada parte de uma maçã
pintou apenas a parte da maçã
que compreendia.
É por isso
meu amor
que eu dedico a você
este poema
em branco.

6.10.11


Da amabilidade do mundo

1

Numa noite fria, nessa terra crua
Cada qual nasceu, uma criança nua.
E ali ficou, criatura sem dono
Quando uma mulher o envolveu num pano.

2

Ninguém o chamou, não era necessário.
Para trazê-lo não houve emissário.
Era um desconhecido, ser sem proteção
Quando um homem o tomou pela mão.

3

Numa noite fria, nessa terra crua
Cada qual leva a morte que é sua.
Cada homem certamente amou a vida
Coberto por palmos de terra batida.


Bertolt Brecht

5.10.11

Eu era pequeno
e tu uma mulher triste.
Esta tristeza é ainda
minha.

Mas só ela.
E a laranjeira.

Eugénio de Andrade