30.9.10

Twitter

bruno_barroso: RT @limandore: Notícia urgente: Marina Silva chega aos 16 pontos e já ameaça o Galo.

26.9.10

Eu tenho muita sorte.

25.9.10



BH. Lindeza.

24.9.10

Minha irmã mandou um email assim: "você se lembra do Elefantinho?".
E meu coração ficou quentinho de lembrar dos azulejos com desenho de elefante de um restaurante em que meu pai levava a gente pra comer batata frita. Eu tinha uns seis anos, e o restaurante era dentro de um posto de gasolina.

A gente é bacana desde que nasceu. E meu pai é o máximo.
O seu santo nome
Carlos Drummond de Andrade

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

22.9.10

Tati Bernardi.

"Você é a mulher da minha vida, eu quero envelhecer ao seu lado". Tá bom, vamos combinar um café. "Calma, não me pressiona!".

21.9.10

Tomei certa antipatia do Carpinejar, mas tem hora que só ele me entende.

Eu também fico intrigado com a separação amigável. É a que mais machuca na verdade. Porque não há catarse, explosão, exorcismo. É um acordo contido, vizinho de porta da indiferença. Aceitam que não deram certo e tomam caminhos contrários. Ajudam inclusive na mudança. Não se importam muito em perder o futuro a ponto de jorrar culpa e maldizer os bons modos. Quer algo mais irritante do que alguém educado numa despedida? A vontade é chacoalhar os ossos do vivente. Que seja cínico, nunca educado.
Chorar não significa remorso, a gente chora para atacar, para constranger, é uma violência, não há nenhum lamento.
Não concordo com sua teoria que é melhor acabar antes do ódio. Eu somente acabo quando odeio e ainda assim devoro todas as sobras, testo a paciência. Não deixo nada no prato, raspo com a colher. Odiar é uma rara chance de reconciliação. Vocês não foram nem capazes de se odiar, que amor é esse?

O nosso mal-estar amoroso, por Contardo Calligaris

Na semana passada, graças ao IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), aprendemos que, em média, no país, há 105 homens solteiros por cada cem mulheres com o mesmo estado civil.

Claro, em cada Estado a situação é diferente. No Distrito Federal há mais solteiras do que solteiros, no Rio de Janeiro dá empate e Santa Catarina é o paraíso das mulheres (122 solteiros por cada cem solteiras). De qualquer forma, no Brasil como um todo, é impossível afirmar que “faltam homens no mercado”.

A Folha, na última quinta (9/9), entrevistou algumas mulheres; uma delas comentou: pouco importa que haja mais homens do que mulheres, o problema é que os homens, depois de um encontro ou dois, dão “um chá de sumiço”. Ou seja, pode haver muitos homens, mas eles só querem pegação.

No domingo passado, um leitor escreveu à ombudsman do jornal para protestar: segundo ele, quem não quer nada sério são as mulheres, que são “fúteis e fáceis”, salvo quando o homem começa “a conversar sobre algo sério”, aí ELAS dão o tal chá de sumiço.

Em suma, faltam homens ou mulheres? E, sobretudo, números à parte, quem está querendo só pegação: os homens ou as mulheres?

Acredito na queixa dos dois gêneros. Resta entender como é possível que a maioria tanto dos homens quanto das mulheres sonhe com relacionamentos fixos e duradouros, mas encontre quase sempre parceiros que querem apenas brincar por uma noite ou duas. Se homens e mulheres, em sua maioria, querem namorar firme, como é que eles não se encontram?

Haverá alguém (sempre há) para culpar nosso “lastimável” hedonismo -assim: todos esperamos “naturalmente” encontrar uma alma gêmea, mas a carne é fraca.

Homens e mulheres, desistimos da laboriosa construção de afetos nobres e duradouros para satisfazer nossa “vergonhosa” sede de prazeres imediatos.

Os ditos prazeres efêmeros nos frustram, e voltamos de nossas baladas (orgiásticas) lamentando a falta de afetos profundos e eternos.

Obviamente, esses afetos não podem vingar se passamos nosso tempo nas baladas, mas os homens preferem dizer que é por culpa das mulheres e as mulheres, que é por culpa dos homens: são sempre os outros que só querem pegação.

De fato, não acho que sejamos especialmente hedonistas. E o hedonismo não é necessário para entender o que acontece hoje entre homens e mulheres. Tomemos o exemplo de um jovem com quem conversei recentemente:

1) Com toda sinceridade, ele afirma procurar uma mulher com quem casar-se e constituir uma família.

2) Quando encontra uma mulher que ele preze, o jovem sofre os piores tormentos da dúvida: será que ela gostou de mim? Por que não liga, se ontem a gente se beijou? Por que ela leva tanto tempo para responder uma mensagem?

Essa mistura de espera frustrada com desilusão é, em muitos casos, a razão de seu pouco sucesso na procura de um amor, pois, diante das mulheres que lhe importam, ele ocupa, inevitavelmente, a posição humorística da insegurança insaciável: “Tudo bem, você gosta de mim, mas gosta quanto, exatamente?” Se uma mulher se afasta dele por causa desse comportamento, ele pensa que a mulher só queria pegação.

3) Quando, apesar dessa dificuldade, ele começa um namoro com uma mulher de quem ele gostou e que também gostou dele, muito rapidamente ele “descobre” que, de fato, essa nova companheira não é bem a mulher que ele queria.

4) Nessa altura, o jovem interrompe a relação, que nem teve tempo de se transformar num namoro, e a mulher interpreta a ruptura como prova de que ele só queria pegação.

Esse padrão de comportamento amoroso pode ser masculino ou feminino. Ele é típico da cultura urbana moderna, em que cada um precisa, desesperadamente, do apreço e do amor dos outros, mas, ao mesmo tempo, não quer se entregar para esses outros cujo amor ele implora.

Em suma, “ficamos” e “pegamos”, mas sempre lamentando os amores assim perdidos, ou seja, procuramos e testamos ansiosamente o desejo dos outros por nós, mas sem lhes dar uma chance de pegar (e prender) nossa mão. Esse é o roteiro padrão de nosso mal-estar amoroso.

Para quem gosta de diagnóstico, é um roteiro que tem mais a ver com uma histeria sofrida do que com o hedonismo.

19.9.10

Eu e Tom Jobim.
Porque nós tivemos um dia cheio.
Minha atual versão esportista acorda de madrugada pra correr e frequenta trilhas e cachoeiras com regularidade.
Mas eu nunca tive tanto sono, odeio água gelada e o único bicho que me acompanha e eu gosto é o Tom Jobim.

Gente é uma coisa estranha.

"Il y a longtemps que je t'aime".
Nome bacana, filme lindo, música gostosa, imagens delicadas.

Cinema é legal.

Do blog da Mari. Amei.

Coisas que acontecem na minha casa:

-Pedi para seu pai ir na Morini e comprar dois refrigerantes e uma couve flor bem branquinha.
-Ah, e ai?
-Aí ele apareceu 15 minutos depois com dois refrigerantes e duas couves bem verdinhas.

Versão do meu pai:
-Sua mãe é confusa.

15.9.10

Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final.

"Fora da ordem", Caetano Veloso

13.9.10

Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço.

12.9.10

Grã, precisava postar aqui seu comentário pro post anterior e te agradecer muito, muito por ele.

Mesmo com a pitada de uma dorzinha latente, adorei... a vida é mudança! Segue, encaixotando e desencaixotando e - nesse movimento que não pode parar, nesse lamento travestido de otimismo - a gente vai se amando que, também sem um/seu carinho, ninguém segura esse rojão.

Vamos ao que pode. A partir de agora.
Fim.

11.9.10

Encaixota, encaixota, encaixota. Isso, agora... desencaixota. Tudo. Sozinha. E feliz, porque sofrer não combina com mais nada nessa vida. Sofrer é pra quem não sabe viver. Não pode parar, encaixota. Tira da caixa. Trabalha.
Sofrer, só em movimento.


E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça ninguém segura esse rojão.
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar.

Los Hermanos, "Conversa de botas batidas".

10.9.10

Ela me impede de fazer grandes loucuras e me incentiva a fazer as pequenas, mesmo que ela mesma não tenha coragem de executar nem as menores de todas. Mas a gente vai aprendendo junto.
Te amo.

Sinta o gosto do sal.


Milágrimas

Itamar Assumpção e Alice Ruiz

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

O cordão partido
Bertold Brecht

O cordão partido pode ser novamente atado
Ele segura novamente, mas
Está roto.

Talvez nos encontremos de novo, mas
Ali onde você me deixou
Não me achará novamente.

8.9.10

O sal da língua
Eugénio de Andrade

Escuta, escuta: tenho ainda

uma coisa a dizer.

Não é importante, eu sei, não vai

salvar o mundo, não mudará

a vida de ninguém - mas quem

é hoje capaz de salvar o mundo

ou apenas mudar o sentido

da vida de alguém?

Escuta-me, não te demoro.

É coisa pouca, como a chuvinha

que vem vindo devagar.

São três, quatro palavras, pouco

mais. Palavras que te quero confiar.

Para que não se extinga o seu lume,

o seu lume breve.

Palavras que muito amei,

que talvez ame ainda.

Elas são a casa, o sal da língua.

O poeta vai ao jóquei

Carlos Drummond de Andrade

O que me agrada, o que pleiteio,
não é das duplas o rateio,
nem placês nem pules miríficas,
mas tão-somente, nas magníficas
tardes de ouro outonal da Gávea,
ter a meu lado, calma e suave, a
que nos loucos páreos do amor
me faz vencido e vencedor.


Meu fogo também me arde.


O meu coração parece que perde um pedaço, mas não me leve a sério: passou este verão, outros passarão, eu passo.

Chico Buarque

3.9.10

"Ouça seu coração" é o conselho mais errado do mundo. Se eu ouvisse o meu já tava presa.

Tati Bernardi

2.9.10

Eu espero acontecimentos. Só que, quando anoitece, é festa no outro apartamento.

Marina Lima

1.9.10

Ferreira Gullar

No mundo há muitas armadilhas

e o que é armadilha pode ser refúgio

e o que é refúgio pode ser armadilha

Tua janela por exemplo

aberta para o céu

e uma estrela a te dizer que o homem é nada

ou a manhã espumando na praia

a bater antes de Cabral, antes de Tróia

(há quatro séculos Tomás Bequimão

tomou a cidade, criou uma milícia popular

e depois foi traído, preso, enforcado)

No mundo há muitas armadilhas

e muitas bocas a te dizer

que a vida é pouca

que a vida é louca

E por que não a Bomba? te perguntam.

Por que não a Bomba para acabar com tudo, já

que a vida é louca?

Contudo, olhas o teu filho, o bichinho

que não sabe

que afoito se entranha à vida e quer

a vida

e busca o sol, a bola, fascinado vê

o avião e indaga e indaga

A vida é pouca

a vida é louca

mas não há senão ela.

E não te mataste, essa é a verdade.

Estás preso à vida como numa jaula.

Estamos todos presos

nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver

de fora e nos dizer: é azul.

E já o sabíamos, tanto

que não te mataste e não vais

te matar

e agüentarás até o fim.

O certo é que nesta jaula há os que têm

e os que não têm

há os que têm tanto que sozinhos poderiam

alimentar a cidade

e os que não têm nem para o almoço de hoje

A estrela mente

o mar sofisma. De fato,

o homem está preso à vida e precisa viver

o homem tem fome

e precisa comer

o homem tem filhos

e precisa criá-los

Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las

Uma mulher não quer ser salva, mas deseja alguém que dê sentido para suas perdas.

Carpinejar