22.11.04

Transcrição de blog alheio. Lá, o título é "Metalinguagem". Aqui, foi mudado para "É por isso que eu escolhi esse homem".

Metalinguagem
É estranho escrever pra um leitor indefinido. Via de regra, uma das primeiras coisas que alguém considera ao escrever é o perfil dos seus leitores e, em seguida, como agradá-los.
No caso de um blog a situação é mais complexa. Ele não funciona como um diário, porque se está publicado é para ser lido. Outras pessoas podem e vão visitá-lo. Essa coisa de "é só pra mim" não existe. Fato.
Ao mesmo tempo, como não se pode ter certeza de quem frequenta o tal blog - por menos frequentadores que ele possa ter -, escrever exige um certo dom de imaginação.
Acho que as coisas se estabilizam da seguinte maneira: quem escreve, escreve como gosta; quem lê, lê o que gosta.

(Minha preocupação em agradar não consegue ser discreta. Que saudades da análise)

12.11.04

Coluna do Zé Simão de hoje, na Folha de São Paulo:
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ANA MARIA BRAGA RESOLVE IMPASSE MUNDIAL! Olha só os comentários da Anameba Brega sobre a morte de Arafat: "Grande homem que passou a vida lutando pela criação do Estado de Israel". "Líder máximo da Palestina que se dedicou à libertação de Israel."
Imagine a confusão na casa dela. Vão acabar bombardeando a toca do Louro José.

9.11.04

Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.

Acorrentados, Paulo Mendes Campos. Texto extraído do livro "O Anjo Bêbado"
Argumento
Francisco Alvim

mas se todos fazem

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7.11.04

Zezé e Luciano me entendem... já estou procurando em MP3, em breve estarei cantando junto com eles. Atenção ao bom gosto e à riqueza da letra.
Obrigada, leitor(es), pela dica.

Refém do amor

De repente você chega desse jeito
Diz que meu amor é seu, que tem direito
De entrar e de sair da minha vida
Quando quiser
Você sabe que meu coração é seu
E nessa história de te amar mais do que eu
Fiquei perdido
Toda vez que você chega do meu lado
Minha timidez me deixa tão calado
E inseguro eu me agarro aos pedacinhos
Que ainda restam de mim
E lá vou eu outra vez
Refém do amor que me fez
Cair de novo em seus braços
E lá vou eu outra vez
Refém do amor que me fez
Um louco por seus abraços
E nessa loucura de te amar
Eu morro um pouco a cada dia
Falta amor, carinho, abraço, beijo
Falta a sua companhia
Entre o bem e o mal tô dividido
Sem saber o que fazer
Mas no fim a história é sempre a mesma
Eu grudado em você.

Pranto para comover Jonathan
Adélia Prado

Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.

4.11.04

Estado Puro: not for all the love in the world

Não conheço os donos desse blog, mas adorei o que eles escrevem. Sem falar que, no português de Portugal, tudo soa tão poético...

3.11.04

Amor
Vinícius de Moraes

Vamos brincar, amor? vamos jogar peteca
Vamos atrapalhar os outros, amor, vamos sair correndo
Vamos subir no elevador, vamos sofrer calmamente e sem precipitação?
Vamos sofrer, amor? males da alma, perigos
Dores de má fama íntimas como as chagas de Cristo
Vamos, amor? vamos tomar porre de absinto
Vamos tomar porre de coisa bem esquisita, vamos
Fingir que hoje é domingo, vamos ver
O afogado na praia, vamos correr atrás do batalhão?
Vamos,amor, tomar thé na Cavé com madame Sevignée
Vamos roubar laranja, falar nome, vamos inventar
Vamos criar beijo novo, carinho novo, vamos visitar N. S. do Parto?
Vamos, amor? vamos nos persuadir imensamente dos acontecimentos
Vamos fazer neném dormir, botar ele no urinol
Vamos, amor?
Porque excessivamente grave é a Vida.