28.11.05

Regras de etiqueta numa vídeo-locadora
.
Agora vocês devem estar pensando: hum, essas meninas não tem mais o que falar e começaram a apelar. Nada disso. Fui numa vídeo-locadora na semana passada e me senti fazendo parte do mundo. Todo aquele vazio espiritual que sentia, aquele sentimento de falta de adaptação em relação ao mundo, angústia, melancolia, tudo isso desapareceu no momento em que coloquei os pés na Blockbuster. Me senti inteiramente normal. Mas percebi que o local tem um código de etiquetas próprio, que aprendi a muito custo. E é isso que divido, agora, com vocês.
1 - Não fique procurando filmes cult de diretores obscuros. Lembre-se que seu objetivo é sentir uma união com a raça humana. E nem estou falando do desejo de pegar um filme no Sudão. Mas é que sempre queremos pegar filmes inteligentes (mesmo que sejam americanos) para esbanjar nossa inteligência e sentir que crescemos interiormente depois do filme. Por que? Vá logo para a seção de lançamentos e pegue filmes de astros famosos, filmes tão idiotas que você apagará da sua mente em menos de 24 horas.
2- . Pegue aquelas geléias americanas que eles tentam te empurrar no caixa, amasse o pacote e mostre para a pessoa que está com você. Diga algo como: "olha, que maneiro". Depois devolva, pois é ruim como o diabo.
3 - Vá com um par. Vídeo-locadoras não são lugares para você andar sozinho. Todos andam em pares. E se você tem namorado, vá com ele. Senão, peça para o seu irmão ir com você ou pague um indigente na rua para ir com você. Porque, pelo que percebi, pessoas têm que andar em casais na Blockbuster. Fui sozinha e me senti muito só, muito mesmo. Além do mais, um dos grandes prazeres desses lugares é você convencer o outro dele levar o filme que VOCÊ quer. E quando você vai sozinha, não precisa lutar por seus filmes e a graça é sensivelmente diminuída.
4-Os filmes que estão na prateleira com a capinha com o filme não são para aluguel. Isso mesmo. Peça para alguém te explicar direito como é, senão você irá pagar vários micos como eu, que fiquei na fila com vários filmes achando muito maneiro e quando fui pagar é que me explicaram que eu tinha pegado as caixas erradas e que aqueles filmes estavam alugados. Custava colocar uma plaquinha explicando?
5- Os dias ideais para ir à locadora são os do fim de semana, se estiver chovendo, aproveite. De que adiantaria você ir na terça de noite, com todos os filmes disponíveis? Ir à vídeo-locadora é tipo uma caça, uma disputa entre os outros sócios. Tem que ter uma adrenalina, uma esquema competitivo. Quando você vê que tem alguém lendo a sinopse em uma capinha, você fica escondido atrás da prateleira, de tocaia. E se a pessoa não pega o filme (ou simplesmente se ela vai dar uma volta para pegar o filme depois), você vai lá e pega para você. Isso também é muito melhor do que assistir ao filme em si.
6 - Leve uma série de documentos - cartão de banco, de crédito, certificado de reservistas, certidão de nascimento, comprovante de renda e de residência. Há uma grande burocracia, pois as pessoas acham que você faz parte de uma gangue cujo objetivo é roubar fitas de filmes usadas.
7 - Na fila, fique olhando com inveja para as fitas que os outros escolheram, preferindo o filme que os outros pegaram. É um sentimento de frustração normal, que existe dentro de todo humano e que precisa ser posto para fora. Cobice os filmes do alheio. Jogue mal olhado (Brincadeira!)
8 - Participe de todo o tipo de promoção oferecida, do tipo pegue 20 vinte filmes para ver entre sábado e domigo e ganhe desconto de R$1 uma locação. Por que certas pessoas insistem em desmascar essas promoções e nos provar que não vale a pena? Que gente estraga prazer! Nós sabemos que estamos sendo enganados, mas queremos ser enganados!
9 - Atrase para devolver. Num tempo de crise, salários pingados, em algum momento da vida você tem que sentir esbanjando dinheiro. Deixe os filmes em cima da televisão e não devolva, porque não deu tempo de ver. E quando você for devolver, descubra que você deve R$ 200 de multa, diga que vai pegar o dinheiro em casa, pare de freqüentar a locadora e só reapareça anos depois, quando o gerente irá perdoar sua dívida.
10 - Se os filmes são entregues num saco plástico... na hora de devolver, fique com o saco para você. Você sentirá uma vitória pensando que passou a perna nos donos de cadeias multimilionárias de filmes ficando com o saco plástico, que usará no lixinho da cozinha!
11 - Fique (muito) feliz com seu cartão da locadora, guarde num lugar de destaque da sua carteira, como se fosse um cartão de crédito muito valioso com crédito internacional ilimitado.
12 - Por fim, aproveite que nesse tipo de locadora você pode devolver o vídeo em qualquer horário, através de um buraco miraculoso. E faça questão de devolver o filme três da manhã, nem que você fique em casa acordado, fazendo hora para isso!

25.11.05

Livro aberto (parte 2)
Agora há pouco a Rede TV! promoveu um debate com Bruna Surfistinha, mediado por Luciana Gimenez e com participação de Ângela Bismarchi. Machado de Assis não apareceu. Ele ligou dizendo que não poderia ir por causa do trânsito infernal na Oscar Freire".
.

21.11.05

É um texto sobre um amor entre duas mulheres, mas poderia ser qualquer amor.
.
Agradecimentos
De Milly Lacombe.
(do site "Blônicas")

Chegamos à hora dos agradecimentos. Trata-se do grande final, da apoteose dramática, do inevitável e dolorido exercício de lembrar por que nos apaixonamos. É o pente fino na relação, o inventário de tudo o que fomos, o último ato. Feito isso, podemos baixar as cortinas e dar o espetáculo por encerrado. Sofisticadamente, como se espera das paixões doces, verdadeiras, belas e sem futuro – aquelas que ocorrem em teatros vazios, mas que, nem por isso, devem ser menos aplaudidas. Daqui, da solidão desse palco em que me encontro agora, meus mais sinceros agradecimentos.
Antes de mais nada, obrigada por ter me dado esse ingresso, por ter me recebido, me convidado a sentar e me deixado ficar. Obrigada por ter me lembrado que a vida pode ser mais divertida, mais intensa, mais musicada e florida. Obrigada pelas noites quentes, pelas cervejas geladas, pelos CDs, pelos livros, pelas caronas, pelos cafés. Por ter me dado colo, carinho, atenção. Por ter me deixado olhar dentro de você, por ter me enxergado tão bem, por ter me permitido ouvir sua melhor música.
Obrigada pela sensibilidade, pelo interesse, pelo doce-de-leite. Obrigada por, mesmo sem dizer, ter me feito sentir tão amada, por ter me deixado ler alguns de seus mais secretos pensamentos. Por ter feito meu coração disparar sem motivo aparente, por ter me admirado tão aberta e sinceramente. Por ter me feito rir, por ter rido de mim, por ter perdido seu sapato no meio da avenida São Luiz e, principalmente, por todas as muitas horas em que, juntas, rimos tão sincera e deliciosamente de coisas que não tinham graça.
Obrigada por ter me dado sua senha, por ter roubado a minha, pelo acesso, pela orientação, por ter entrado em mim, por ter me deixado entrar em você. Por ter me feito chorar de saudade e de medo de te perder. Por ter sentado comigo na varanda e me ouvido falar, por ter me contado sobre seu trabalho, sobre a vaga na garagem, sobre a gorda, sobre seus sonhos, medos, segredos e anseios.
Obrigada por ter me aberto a porta e, depois, por ter me deixado entrar sem bater. Pelo cabelo molhado, pelos suspiros, pelo bico e por me fazer acreditar que um dia poderíamos ter sido. Obrigada por ter me dado tanto prazer e, principalmente, por ter me deixado te dar algum.
Pelas tardes em que passei esperando o telefone tocar, por nunca ter me falhado, pela cumplicidade e pela senha do album na internet. Pelas memórias, pelos beijos molhados, por ter mexido no meu cabelo, por ter me abraçado por trás e me beijado o pescoço, por ter me deixado deitar em você e ficar em silêncio. Por ter me ligado para dizer que a lua estava cheia, por ter me feito ver estrelas, por ter passado a mão na minha perna sempre que havia uma chance, por ter alcançado minha alma.
Obrigada por ter me procurado, por ter se perdido, por ter me deixado molhada, por ter me secado, por ter me dado comida na boca, por ter me lido. Por me fazer sentir tão bonita, por ser tão bonita, por ter tido orgulho de mim, pelos telefonemas fora de hora, por ter me entretido, me divertido e por ter me feito protagonista.
Obrigada por não ter desistido da gente depois daquela primeira noite, e por ter se entregado de forma tão doce e intensa no que agora sei que foi nossa última vez.
Mas, acima de tudo, obrigada por ter me permitido sonhar. Porque, sem sonhos, eu não existo. Então, my beautiful lady, em resumo é mais ou menos isso: obrigada por ter me feito existir.

9.11.05

Homens não querem sofrer
www.02neuronio.com.br

Todo mundo sabe que homens adoram negar. Negar que estão traindo, negar que esqueceram de um compromisso, negar que estão namorando...mas o que o que os homens mais gostam de negar é que estão sofrendo. Isso mesmo, eles têm pavor de sofrer!
Não admitem que podem derramar uma lágrima por alguém. Aliás, eles nem sabem o que é chorar. Eu queria chorar por dois minutos, contados no relógio e depois acabou, disse um conhecido, que tinha acabado um namoro de cinco anos. Dois minutos, esse era o tempo razoável para o sofrimento por amor do rapaz.
(...)
E a gente sofre por meses. Fica mal quando fica com outro, afinal, tem o tempo da ressaca do coração partido. E nos achamos muito más, caso já tenhamos alguém em vista.
Não sofram pela gente, eles dizem. Será que não seria melhor mesmo? Não sofrer, não chorar, não achar que o mundo vai acabar...mas daí a gente viraria homem. E não teria a menor graça.