30.8.08

"É por isso que se há de entender que o amor não é ócio, e compreender que o amor não é um vício, o amor é sacrifício, o amor é sacerdócio".
Chico Buarque
... quando você está prestes a anunciar uma carreira solo, aparece alguém pra te lembrar do quanto é bom dividir as coisas. Até o que não se divide. E principalmente o que te divide.
Cris, mais uma vez: obrigada.
Eu, hoje, acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara.
Só existe um segredo.
Tudo está na cara.

Paulo Leminski
Eu acho "palavra" a palavra mais bonita do mundo.

27.8.08

Tempo
Adélia Prado

A mim que desde a infância venho vindo
como se o meu destino
fosse o exato destino de uma estrela
apelam incríveis coisas:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.
Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem
amaria chamar-se Eliud Jonathan.
Neste exato momento do dia vinte de julho
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome.

25.8.08

... e é por isso que um dia, contrariando todas as minhas expectativas, eu me casei.



... onde eu possa plantar meus amigos,
meus discos e livros
e nada mais.

24.8.08

Antes do nome
Adélia Prado

Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.

Quem a gente ama devia estar sempre por perto. Pelo menos no mesmo país.

23.8.08

Desculpem pela ausência, mas não tem sido fácil morar em duas cidades simultaneamente e, entre uma e outra viagem, arranjar tempo de matar as saudades.
.
Hilda Hilst
Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito
Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado
Salpicado de negro, de doçuras e iras.
Te amo, Líquida, descendo escorrida
Pela víscera, e assim esquecendo
Fomes
País
O riso solto
A dentadura etérea
Bola
Miséria.
Bebendo, Vida, invento casa, comida
E um Mais que se agiganta, um Mais
Conquistando um fulcro potente na garganta
Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.
Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos
Quando não sou líquida.
(Alcoólicas - V)

8.8.08

Amavisse
Hilda Hilst


Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro
Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.

(II)



* * *

Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias.

3.8.08

A Carol postou isso aqui, e eu traduzo o post dela, porque ele podia ser meu, literalmente.
Sempre tento explicar pro Fer que algumas das minhas músicas preferidas tocam as histórias mais longínquas da minha vida, e que o que sinto por elas é amor, não é nada de "gosto musical". Ele ouve, mas algumas coisas não se transmitem.
Ter uma irmã é não ter que se preocupar em explicar demais: é saber que alguém entende perfeitamente o significado afetivo das melhores memórias que você guarda.
.
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Memórias de infância
Se tem uma coisa que eu posso dizer das minhas memórias de infância é que elas são recheadas de música boa. Lembro de ser arrastada para shows com minha irmã pelos meus pais, tínhamos provavelmente cinco e seis anos. Nós odiávamos ter que ir, e perguntávamos pra eles se poderíamos jogar baralho durante as apresentações, mas acabávamos gostando no final, mesmo que não admitíssemos. Por causa daquela época, antes da adolescência já tínhamos visto alguns dos melhores músicos brasileiros tocando ao vivo, e eu quero que meus filhos também tenham essa oportunidade. Queria que as memórias de infância de todo mundo soassem tão lindas quanto as minhas.








Já que não podia colocar no diminutivo, como era seu jeito, Vinícius chamava Pixinguinha de Pixinga.

(www.marinaw.com.br)

Você eu tenho que ter, meu amor
Pra poder comer, pra poder comer, pra poder comer
Você eu tenho que ter, meu bem
Pra poder dormir, pra poder dormir, pra poder dormir
Você eu tenho que ter
Pra poder dizer
Você eu tenho que ter
Pra poder dizer.

Alice Ruiz/Itamar Assumpção