31.8.10

Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida - nós na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva. Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida e algum trocado pra dar garantia.
E ser artista no nosso convívio pelo inferno e céu de todo dia, pra poesia que a gente não vive transformar o tédio em melodia. Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida e algum veneno antimonotonia.
E se eu achar a tua fonte escondida, te alcanço em cheio o mel e a ferida e o corpo inteiro, feito um furacão: boca, nunca mão e a tua mente não. Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida e algum remédio que me dê alegria.

Cazuza

29.8.10

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa

24.8.10

Que tudo é deste mundo - surpresa também.
(pra não esquecer do que existiu).

23.8.10

No CD que gravei pra ouvir no carro, ela vem logo depois de "Tanto amar", do Chico.
Tudo bem amarrado e coerente.

21.8.10

Disseram que voltei americanizada.
Veinte poemas de amor y una canción desesperada - Poema 7
Pablo Neruda

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: "La noche esta estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

20.8.10

O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer. E o meu, poesia de cego, você não pode ver. Não pode ver que, no meu mundo, um troço qualquer morreu

... num corte lento e profundo entre você e eu.



Cazuza

19.8.10

Desencanto

Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto

Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota a gota do coração.

E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca

Eu faço versos como quem morre.
Qualquer forma de amor vale a pena!!
Qualquer forma de amor vale amar!


17.8.10

Toda mulher tenta dar uma de difícil na primeira semana. Eu tento dar na primeira semana antes que percebam o quanto eu sou difícil.

Tati Bernardi.

11.8.10

Afinal, ser contemporâneo é, segundo Agambem, “perceber no escuro do presente uma luz que procura nos alcançar e não pode fazê-lo. É antes de tudo coragem: significa ser capaz não apenas de manter fixo o olhar no escuro da época, mas perceber uma luz dirigida a nós, que distancia infinitamente”. Por tudo, os contemporâneos são raros. Significa, no exemplo simples dado por Agamben, “ser pontual num compromisso, quando se pode apenas faltar”. Ou, podemos dizer, arcar com um compromisso político, quando se pode, simplesmente, não cumpri-lo.

(Cris Barreto. É dela e é pra ela).


Responsabilidade também é contemporânea (ufa!).

4.8.10

Dona Doida
Adélia Prado

Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.

Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.

Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.

Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.

A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.

Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,

eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.

3.8.10

Eu também venho aqui quando a vida fica nublada, Ingrid.