29.11.08

Mocidade independente

Ana Cristina Cesar

Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem medir mais as conseqüências. Por que recusamos ser proféticas? E que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? Voei pra cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma graça atravessando o Estado de São Paulo, de madrugada, por você, e furiosa: é agora, nesta contramão.

23.11.08

Mário Quintana, sempre. E viva a linda da Marcela e seus livros fantásticos!

Poeminha sentimental
Mário Quintana

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

18.11.08

Modéstia às favas, porque é lindo demais e é pra mim. E porque eu amo esse menino branco.
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Porque você é o que me importa
do Fer
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Fico preocupado ao pensar que você talvez não saiba que me esforço todos os dias para não interromper reuniões, ligações, debates e seminários e contar sua última piada ou o comentário que fez ao ver a manchete do jornal.
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Também não deve saber que melhoro minha postura, arrumo meu cabelo e minhas roupas ao imaginar que talvez te encontre ou que possa me ver de longe, andando distraído por uma rua qualquer.
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Sempre que encosto meu ouvido em seu peito redescubro um pouco de fé ao pedir que te protejam e te façam menos frágil do que me parece naquele instante, com seu pequeno punho fechado a carregar meu mundo inteiro. Juro, então, que te fazer feliz vai ser meu exercício diário, como se dele dependesse o resto da minha vida.
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Juro também que vou pensar na sua gargalhada, nas danças inusitadas e no carinho que me faz quando já está a dormir sempre que me apresentarem aventuras ou me oferecerem aquele frio na barriga. Vou saber, então, o espaço que ocupa, agradecer a oferta e voltar pra nossa cama já marcada pelas pernas, pelos beijos e pela lealdade de toda noite.
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Gostar de alguém é entregar o que se tem de mais frágil, mais fundamental, acreditando que o outro faz o mesmo e vai também cuidar do que recebeu como se fosse seu. Enquanto isso, mil variáveis se alteram, invertem, intrometem, insistindo em dizer que viver não é isso e que as pessoas estão rindo do lado de fora da sua casa, mas você não.
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Amar é ter alguém exposto, aberto, entregue, e, por isso mesmo, usar tudo que se tem e tudo que se faz pra confortar, recobrir, proteger.
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Sem qualquer rede de proteção, sem nenhuma garantia, já que viver é o que fazemos de mais arriscado, te amo um pouco mais a cada dia.

8.11.08

Felizmente há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não se esquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que se envergonhar de ser bondade, também a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a justiça e a bondade, daria o primeiro lugar à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa a justiça e a caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça.
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José Saramago

6.11.08

How cool is it, uh?
Agora sim: God bless America.

3.11.08

Driblar é dar aos pés astúcias de mãos. (João Cabral de Melo Neto).

O drible de corpo é quando corpo tem presença de espírito. (Chico Buarque).


Eu amo futebol. Fim.

2.11.08


Minha irmã me mostrou, e eu fiquei emocionadíssima. Só quem teve vai entender (se é que alguém da minha geração não teve...).

1.11.08

Um beijo
Olavo Bilac

Foste o beijo melhor da minha vida,
Ou talvez o pior...glória e tormento,
Contigo à luz subi do firmamento,
Contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
E do teu gosto amargo me alimento,
E rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
Batismo e extrema-unção, naquele instante
Por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-te o ardor, e o crepitar te escuto,
Beijo divino! e anseio, delirante,
Na perpétua saudade de um minuto...