29.6.08

O Fer tinha um blog. Aliás, o blog ainda está lá, o Fer é que se ausentou daquele espaço pra sempre. Uma pena.
O texto abaixo é de 2005, período em que ele se mudou para Goiânia e nós dois terminamos, o que acabou, tenho que admitir, sendo um excelente motor para a criatividade do meu atual marido.
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"Surfocado"
Fernando Lara
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Naquela noite eu estava muito triste. Mais do que nunca, precisava dos meus amigos pra beber até cinco horas da manhã e ouvi-los dizer tudo que os homens dizem quando estão bêbados e com raiva de suas mulheres.
O problema é que eu não conseguiria encontrar nenhum amigo num raio de 500 quilômetros e, como se não bastasse, estava morando em um hotel – o lugar mais impessoal que conseguiram inventar até hoje. Meu destino seria ficar no apartamento, sozinho, pelo resto daquela noite de sábado.
(...)
Pois bem... Ao passar pela varanda do quarto de hotel para regar minhas duas plantas, minhas amigas silenciosas e indiferentes ao meu estado, lembrei da piscina e julguei ser essa uma boa idéia. No entanto, preferi passar antes pela sauna, com medo de que a água da piscina estivesse fria e alimentasse meu já insuportável mau-humor.
Assim que abri a porta da sauna, fui recebido com um “oi” feminino muito simpático – mais do que simpático, sincero. Cabelo liso, esbelta, olhos pretos... Faltavam-lhe dois dentes de leite que, pelos meus cálculos, teriam caído uma semana antes, mas isso não foi problema naquela noite.Puxei conversa perguntando qual era seu nome. A resposta teve de ser repetida duas vezes para que pudesse entender a primeira das seis palavras que formavam o nome completo da minha companheira de sauna – Júlia.
Estranhei o fato de uma menina de 5 anos gostar de sauna a vapor, a mesma que espanta boa parte dos adultos por lhes causar dificuldade na respiração. Ela me explicou que gostava por ser “um lugar muito quentinho”, mas que tinha de pular na piscina de tempos em tempos porque ficava “um pouco surfocada”. Júlia me explicou também – olhando para sua pequena barriga – que a sauna ajudava as pessoas a emagrecer, mas que, desde a última vez que estivera lá, já havia “engordecido” um pouco.
Eu, que 5 minutos atrás julgava estar nas mulheres a explicação para todos os problemas do mundo, estava agora eternamente grato por conhecer aquela menina. A certa altura, Júlia se aproximou e pediu para ver meus olhos: “seu olho é verde com preto”. Não é. Ele é castanho-claro, mas preferi não lhe ensinar o termo correto porque “verde com preto” era muito mais legal.
O momento mais triste do nosso rápido encontro aconteceu quando minha pequena amiga informou que sairia da sauna em breve para ir ao “sorveteiro” com a família. Pensei em dissuadi-la da idéia, dizendo que sorvete faz muito mal para pessoas que acabaram de sair da sauna, ou até mesmo me oferecer para ir junto, mas imaginei que seus pais não fossem gostar da sugestão – ah, os adultos...
Júlia ainda me pediu para não sair da sauna, que estava indo à piscina para se refrescar e voltava já. Obedeci. Ela voltou depois de 3 minutos, vestida com um daqueles roupões que têm um irresistível capuz pontudo, mas que, naquele momento, simbolizava meu retorno à solidão e, por esse motivo, não era nada irresistível. Era feio.
Antes de sair, ela me explicou que sua família estava se mudando do flat no dia seguinte, mas que poderíamos nos ver na piscina, de manhã. Não era verdade. Eu sabia que ela estava tentando me consolar e como um bom adulto cético, tratei de me despedir para sempre. Essas coisas da vida são tristes; garanto que Júlia teria sido uma boa amiga.
Antes de fechar a porta, no entanto, Júlia colocou a cabeça dentro da sauna e desarmou por vez minha hostilidade com uma frase: “foi muito legal conhecer você”. Só tive tempo de sorrir e falar que eu também tinha achado legal conhecer a menina com nome grande e que gostava de sauna.
Ficou faltando agradecer e dizer que, naquela noite, ela havia sido minha piscina no momento que eu estava mais surfocado.
Ainda na esteira "fotos":
Sim, é ela! Nélida Piñon.
Sim, é ele! Fernando Lara.
Amores. Ainda mais assim, juntinhos.

28.6.08

Não costumo postar fotos aqui, mas a Cris me escreveu um comentário lindo, aí fiquei pensando na sorte de ter mulheres tão singulares na vida, que dão orgulho de exibir. Na foto, algumas das minhas meninas preferidas, representando várias outras.
Uma coisa é falar de Lacan, outra é ver Lacan falar.
Já faz um tempo que alguma coisa mudou em mim pra sempre depois de ler o que esse senhor de camisa e cabelo engraçados tinha a dizer.

Achei um trecho no blog da e depois encontrei esse aqui.

26.6.08


"Viaduto das almas" e "curva do sabão", nomes sugestivos das atrações do caminho que faço toda semana na BR-040.

Hm. Pois é.

24.6.08

A uma mulher
Vinícius de Moraes


Quando a madrugada entrou, eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
E que era preciso fugir para não perder o único instante
Em que foste realmente a ausência de sofrimento
Em que realmente foste a serenidade.

23.6.08


Com atraso e já com saudades, uma foto do visual da minha lua-de-mel.
Update: a foto é da costa oeste dos Estados Unidos, na Califórnia, na estrada que liga Los Angeles a San Francisco.

"É que um mundo todo vivo tem a força de um Inferno".

Clarice Lispector, "A paixão segundo G. H.".

19.6.08

Nani

O Nando me mandou e eu adorei.

18.6.08

Sex and the city
.
Nunca vi - nunca mesmo - e não gostei. Acho deprimente o bando de mulheres na faixa dos trinta (vejam bem: não estou falando de adolescentes!) que acreditam que Nova York é aqui, que se sentem modernetes porque lêem Nova (audácia!), que fazem tratados sobre o significado oculto do comportamento masculino e que - esta é a cereja do bolo - anunciam numa mesa de bar: "nossa, eu sou muito a Carrie" ou qualquer uma das personagens caricatas do seriado.
É só um programinha de TV, meninas. De outro país, outra cultura, sobre mulheres que têm roupas e depressões fashion-bacaninhas (não, não precisa ter assistido pra saber do que se trata).
Pelo amor de Deus. E depois a gente é obrigada a escutar que falta "homem interessante" no mundo.

17.6.08

Elenco fixo e elenco convidado
02 neurônio

Não adianta. É sempre assim. Na nossa vida temos um elenco fixo, aquele que vai ficar até o final do seriado. Eles estão sempre ali, em todas as temporadas. Podemos até não ver sempre essas pessoas. Mas elas aparecem em um telefonema, uma conversa no MSN, uma lembrança.
Aí chegam uns atores convidados. A gente sempre tem a eperança de que essa pessoa acabe sendo admitida como elenco fixo. Claro, quanto mais gente na série, melhor! Mas geralmente não é o que rola. Os convidados não dão audïência, os telespectadores se cansam de suas trapaças e o diretor acaba demitindo o sujeito.
O melhor (ou pior): logo ninguém nem lembra que um dia ele existiu naquele enredo. Foi só uma participação especial nada marcante, que só será recordada quando alguém falar: "lembra que um dia os roteiristas piraram e acharam que era uma boa idéia contratar o fulano?". E alguém vai responder: "é, que viagem".
E o que acontece na outra temporada? Voltamos ao elenco fixo, aqueles que junto com a gente fazem a série valer uma vida. E, claro, continuamos abertos para os novos. Só não sabemos se eles vão dar ibope.

10.6.08

"Uma satisfação irrestrita de todas as necessidades apresenta-se-nos como o método mais tentador de conduzir nossas vidas; isso, porém, significa colocar o gozo antes da cautela, acarretando logo o seu próprio castigo".

Freud, "O mal-estar na civilização".

9.6.08

L. F. Veríssimo

Homem e mulher na cama.
- Quem é o seu ursão?
- É você.
- Quem é o seu ursanzão?
- É você.
- E quem é a minha ursinha?
- Sou eu.
- Quem é a minha ursinha pequenininha?
- Sou eu.
- Me chama de "meu ursão".
- Meu ursão. Meu ursanzão. Meu ursanzão peludão.
- Eu sou o seu ursanzão peludão, sou?
- É. Meu garanhão.
- Quê?
- Meu garanhanzão.
- Pô, Matilde.
- Que foi?
- "Meu garanhão"?!
- Que que tem?
- Você sabe o que é garanhão?
- Ora, Paulo. Quem não sabe o que é garanhão?
- Antes você não sabia.
- Eu sempre soube o que é garanhão. Não dizia, mas sabia.
- E por que está dizendo agora?
- Que mal há em dizer... Francamente, Paulo!
- Você conheceu algum garanhão?
- Não, Paulo. Não conheci nenhum garanhão pessoalmente. Meu conhecimento é puramente teórico. Aliás, não conheço nenhum urso, também. O único urso que eu conheço é você.
- Não é a mesma coisa. "Ursão" e "ursinha" é uma coisa nossa. Desde a nossa lua-de-mel, ou você já esqueceu? Não sei por que você teve que trazer esse "garanhão" pra nossa cama. Olha aí, espantou os ursos.
- Está bem, eu retiro o garanhão. Fora desta cama, garanhão. Xô, xô.
- Agora não adianta. O mal está feito. Pô, Matilde. Nunca pensei.
- Ei, ursão... Ursanzão... Ursanzão peludão... Eu não quero um garanhão. Eu quero você.
- E você acha que eu não sou um garanhão?
- Não. Você é ursão. Ursão é melhor que garanhão.
- Como é que você sabe? Se você não conhece nenhum garanhão, como é que pode
comparar?
- Iiih... Sabe de uma coisa, Paulo? Boa noite.
- Não, agora eu quero saber!

6.6.08




Everything
Michael Bublé

You're a falling star, you're the getaway car,
you're the line in the sand when I go too far.
You're the swimming pool, on an August day
and you're the perfect thing to say.
And you play it coy, but it's kinda cute
ah, when you smile at me you know exactly what you do.
Baby don't pretend that you don't know it's true
'cause you can see it when I look at you.
And in this crazy life, and through these crazy times
it's you, it's you, you make me sing,
you're every line, you're every word, you're everything.

You're a carousel, you're a wishing well,
and you light me up when you ring my bell.
You're a mystery, you're from outer space,
you're every minute of my everyday.
And I can't believe that I'm your man
and I get to kiss you baby just because I can.
Whatever comes our way we'll see it through
and you know that's what our love can do.
And in this crazy life, and through these crazy times
it's you, it's you, you make me sing,
you're every line, you're every word, you're everything.

PS: Não consigo me lembrar da última vez que me apaixonei tão gravemente por uma música. Tenho que implorar pra ouvir "só mais uma vez" sempre que estou no carro com o Fer. Presente da Carol, uma das que ela gravou pra eu ouvir no carro na lua de mel.

5.6.08

"A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, aqui estou eu."

yves saint laurent



Voltei. =)