15.12.06

DVDs do Chico Buarque. Todos, em uma caixa linda com fotos, textos...

Chegando em casa, não conseguia ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei mais ainda indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, e achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei!
Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.

Clarice Lispector.

3 comentários:

Gravatai Merengue disse...

Você deveria escrever os textos!

:)

mario disse...

chico anda três quintos da caixa e gagueja um. o que resta é muito bom mesmo. beijo.

mario disse...

concordo com o gravatai.