12.2.08

Pablo Neruda


Os que se amaram como nós? Busquemos
as antigas cinzas do coração queimado
e ali que tombem um por um nossos beijos
até que ressuscite a flor desabitada.
Amemos o amor que consumiu seu fruto
e desceu à terra com rosto e poderio:
tu e eu somos a luz que continua,
sua inquebrantável espiga delicada.
Ao amor sepultado por tanto tempo a frio,
por neve e primavera, por esquecimento e outono,
acerquemos a luz de uma nova maça,
do frescor aberto por uma nova ferida,
como o amor antigo que caminha em silêncio
por uma eternidade de bocas enterradas

Um comentário:

Camila disse...

Lindo!!!! Impossível ler e não se apaixonar (pelo poema, pelo Neruda e por aqueeele amor de ontem).

Beijo, Dri!