5.9.07

A lua cheia deu na cara dela
Elisa Lucinda

Hoje perdi a palavra
O contato com ela
O amor calou-me a boca.
O Amor boicotou de mim
minha própria informação
Os planos se espatifaram
contra os móveis de minha própria casa
A ação, derretida manteiga, mela o tapete
(não deve ser nada sério)
apenas tenho impotentes vontades como
a de quebrar essa merda desse telefone
que está sendo pago pra alvoroçar meu coração.
Pago por mim.
Eu financio a tortura
de não ser nunca tua voz do outro lado da linha.
Que linha móvel indecifrável me pendura
e compromete meu ser ao I Ching infame da Telerj?
Hoje perdi a palavra. A língua me renuncia.
O amor me empanturrou a fala
mas eu não vou me comover.
Há um ladrão que me saqueou a alma
afanou-me o senso
atordoou-me a calma
mas eu não vou denunciar
(não deve ser nada sério)
apenas dormi acordada
e abri as portas quando estavam sendo arrombadas.
Os danos estão à mostra
e o ladrão diz que não houve nada.
Apenas a lua me fura os olhos e eu sou derramada
Hoje perdi a palavra.
Hoje perdi o som de minha própria caligrafia,
o barulho sensual de minhas consoantes
Adiante perdi a estrada que ia dar
na minha própria cozinha
Na minha, estou calada.
(não deve ser nada sério)

Apenas o amor chegou na hora inesperada
e deparou com máscaras gelatinosas na minha cara
bobs no cabelo
tranqüilizantes sob a saga.

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