28.7.06

Seu Jeitinho Rebelde
por Léo Jaime.

Estou pensando em lhe dizer estas coisas há algum tempo. Não acredito que lhe sirva de nada, mas talvez faça algum bem a mim mesmo. Por isso decidi. Tenho observado ao longo do tempo que suas posições são sempre contestatórias, sempre duvidando de tudo e de todos. É interessante. Não é aquele que engole qualquer coisa. Ao contrário, não engole nada. Não vai a filmes americanos, não ouve música de artista vendido, quer dizer, que vende, não acredita em políticos que não sejam radicais e desconfia de quase tudo o que ouve. É bacana: o mundo parece lhe dever explicações.
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Vejo o seu olhar de superioridade para com as meninas arrumadas para sair, como se as julgando fúteis, o mesmo que você lança para os que defendem argumentos, sejam lá quais forem, ou torcem para a seleção brasileira, ou gostam de filmes, peças, shows e discos que fazem sucesso, ou fazem programas que estão na moda. Como lhe parece entediante o mundo e seus cidadãos. Achincalhar argumentos é tão mais divertido! Mostrar o podre do mundo, dos projetos e das pessoas é tão mais sagaz, não é? Corajoso? Charmoso? Humm, não sei. Deixamos isso para depois. Vamos continuar ainda nas suas opções.
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Atitude. Esse é o nome que está por trás de tudo o que lhe sustenta. Você aposta todas as fichas nisso. Alguém vai lhe perguntar as horas e seu impulso primitivo é dizer não. Não quer dizer as horas. Não é obrigado. Quer se livrar da obrigação de ser gentil e ter que ficar atendendo os outros. E se não age assim, pelo menos pensa nisso. Consultando limites para a própria rebeldia. Sim. Ser do contra implica em ser antipático, chato, ter uma nuvem cinza sobre a cabeça o tempo todo e você sabe disso. Por exemplo: quando alguém dirige você vai criticando o caminho que a pessoa faz. Não se deve fazer isso sem oferecer um outro caminho e justificar. Sim, é importante dizer o porquê de o outro caminho ser melhor. Isso vale para política e afins. E se você não faz assim você é só um chato. Observe a oportunidade da réplica e de que pode não haver concordância, pelo menos de imediato. Ou nunca.
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Dizer um não, simples e rotundo, ao mundo e à vida, pode parecer charmoso e lhe conferir um ar de sofisticação. De quem não se contenta com qualquer coisa. Sim, é verdade. Só que quem não se contenta com nada está fadado ao insucesso. Ser infeliz de propósito, ser um perdedor por iniciativa própria é antes de tudo uma demonstração de total covardia. Portanto, se você imaginava que a pose de rebelde contra tudo e todos ia lhe conferir um ar de coragem, esqueça: esta é a solução dos covardes. Não apostar em nenhum dos cavalos da corrida e meter o pau em todos não dá crédito para ninguém se gabar do próprio azedume depois. É preciso ter um projeto, seja lá qual for, e acreditar em alguma coisa e lutar por ela.
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É preciso ter algum senso de estética para se construir um sonho. E colorir este sonho. E depois tentar fazer deste sonho algo real. E não importa se muitos vão acreditar nele ou achá-lo interessante. Mas é preciso amar alguma coisa ou alguém para se poder dizer dono de alguma postura, ou atitude. Odiar não é uma postura corajosa. E era isso o que eu tinha para lhe dizer: odiar é muito confortável e lhe parece a solução para tudo o que você não entende e não sabe como lidar. Você odeia tudo o que não entende. E você não entende quase nada porque odeia tudo.Tome uma atitude.

6 comentários:

Gravatai Merengue disse...

Dri, veja o que a moça escreveu pro autor dessa carta:

"Prezado Leo,

Recebi sua missiva e adorei. Acho que eu preciso amar, você tem toda razão. De fato, o ódio é confortável.

Mas não diga que não tenho projetos, porque tenho sim. Um deles era te dar um pé-na-bunda. Está quase concluído, por sinal.

Todos nós somos feitos de ódio e amor, e de certa forma ambos se confundem. Você, veja que azar!, ficou justamente com a pior parte.

Mas saiba, Leo, que outro homem conhece minha porção-amor. Outro homem que me vê com outros olhos, e não gastaria filosofia barata para me atingir por meio de um sub-tratado pseudo-impessoal.

Ele fala comigo olhando nos olhos, me chamando pelo nome e não usa cada frase para passar algum 'ensinamento'.

Não adianta agora você bancar essa mistura de Nietzsche com Torres Pastorinho. Toda vez que olho para você, não tem jeito, acabo me lembrando de "Gatinha Manhosa".

E então só me resta odiar. Odiar com todas as forças. "Gatinha Manhosa", Leo??? Faça-me o favor!

Com carinho,

Eu"

Fernando disse...

É. A resposta é boa, mas não invalida o sub-tratado pseudo-impessoal.
Dá pra encher uma Kombi com as pessoas que eu conheço que se encaixam no perfil do texto.

mario disse...

pois é...

Anônimo disse...

mas esse jeitinho rebelde pega muié, ah se pega!

Anônimo disse...

o que é sub-tratado pseudo-impessoal; que bonitinho!

Circuito do Prazer disse...

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