6.3.07

Ambiciosa
Florbela Espanca


Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar ...

Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar ...
- Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar !

Minh’ alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus !

O amor dum homem ? - Terra tão pisada,
Gota de chuva ao vento baloiçada ...
Um homem ? - Quando eu sonho o amor de um Deus ! ...

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