9.6.08

L. F. Veríssimo

Homem e mulher na cama.
- Quem é o seu ursão?
- É você.
- Quem é o seu ursanzão?
- É você.
- E quem é a minha ursinha?
- Sou eu.
- Quem é a minha ursinha pequenininha?
- Sou eu.
- Me chama de "meu ursão".
- Meu ursão. Meu ursanzão. Meu ursanzão peludão.
- Eu sou o seu ursanzão peludão, sou?
- É. Meu garanhão.
- Quê?
- Meu garanhanzão.
- Pô, Matilde.
- Que foi?
- "Meu garanhão"?!
- Que que tem?
- Você sabe o que é garanhão?
- Ora, Paulo. Quem não sabe o que é garanhão?
- Antes você não sabia.
- Eu sempre soube o que é garanhão. Não dizia, mas sabia.
- E por que está dizendo agora?
- Que mal há em dizer... Francamente, Paulo!
- Você conheceu algum garanhão?
- Não, Paulo. Não conheci nenhum garanhão pessoalmente. Meu conhecimento é puramente teórico. Aliás, não conheço nenhum urso, também. O único urso que eu conheço é você.
- Não é a mesma coisa. "Ursão" e "ursinha" é uma coisa nossa. Desde a nossa lua-de-mel, ou você já esqueceu? Não sei por que você teve que trazer esse "garanhão" pra nossa cama. Olha aí, espantou os ursos.
- Está bem, eu retiro o garanhão. Fora desta cama, garanhão. Xô, xô.
- Agora não adianta. O mal está feito. Pô, Matilde. Nunca pensei.
- Ei, ursão... Ursanzão... Ursanzão peludão... Eu não quero um garanhão. Eu quero você.
- E você acha que eu não sou um garanhão?
- Não. Você é ursão. Ursão é melhor que garanhão.
- Como é que você sabe? Se você não conhece nenhum garanhão, como é que pode
comparar?
- Iiih... Sabe de uma coisa, Paulo? Boa noite.
- Não, agora eu quero saber!