24.6.08

A uma mulher
Vinícius de Moraes


Quando a madrugada entrou, eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
E que era preciso fugir para não perder o único instante
Em que foste realmente a ausência de sofrimento
Em que realmente foste a serenidade.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá, não tenho blog, não costumo entrar em blogs, mas entrei no seu por causa de uma poesia de Manoel de Barros e acabei lendo algumas coisas... vc parece ser tão serena. Estava todo estressada com umas obrigações e logo depois de ler seu blog eu fiquei mais calma.

Muito agradecida.

Com carinho,

Suenne Riguette