19.10.09

De amor
Maria Teresa Horta

Falar da paixão
mais do que o sangue

Mais do que o fogo
trazido ao coração

Mais do que a rosa acesa
só por dentro
revolvendo no peito
a ponta de um arpão

Falar de febre sem fé
do animal feroz

Dos líquens abertos
e dos lírios

Falar desassosego sem razão
uma raiva que silva
no delírio

quanto dói a dor
no peito
Quanto é contraditória
esta prisão
que me faz ficar livre no que sinto
e logo envenenada à tua mão

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