17.5.11

Tenho saudades de uma dama
como jamais houve na cama
outra igual, e mais terna amante.


Não era sequer provocante.
Provocada, como reagia!
São palavras só: quente, fria.


No banheiro nos enroscávamos.
Eram flamas no preto favo,
um guaiar, um matar-morrer.


Tenho saudades de uma dama
que me passeava na medula
e atomizava os pés da cama.


Carlos Drummond de Andrade

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