16.10.07

Pablo Neruda

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio

ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Um comentário:

Gravata disse...

Se o amor fosse uma coisa simples, não existiria poesia. Nem música. Nem literatura. Ah, acho que nem filosofia, engenharia, matemática.

Viveríamos com a ignorância daquele menino do Poema da Tabacaria. Ou como peixes, celenterados, algas azuis.

Se é que viveríamos.

Em compensação, sem o amor não haveria música sertaneja, lambada, axé, carnaval da bahia, arte moderna...

Tô quase querendo ser uma anênoma.