13.1.06

As melhores e as piores coisas do mundo
Martha Medeiros

As melhores: banho escaldante, livro bom, acordar às seis da manhã e lembrar que é domingo, o dentista não encontrar nada para fazer na sua boca a não ser passar flúor.
As piores: banheiro de avião, missa de sétimo dia, ir numa loja, adorar um casaco, ter dinheiro para comprá-lo mas como bom mão-de-vaca não comprá-lo, aí chegar em casa e descobrir que não tem um único casaco decente no armário e então voltar na loja no dia seguinte e descobrir que mudou a coleção e ontem era o último dia com descontos de 50% sobre o preço da etiqueta.
As melhores: a pessoa que você está a fim também está a fim de você, qualquer episódio de Os Normais, sua tia que sempre lhe deu presentes criativos (como aquele colete de bolinhas de madeira para colocar no banco do carro) resolveu dar dinheiro esse ano.
As piores: ler jornal no vento, faltar luz quando você está no elevador saindo para um compromisso para o qual já está atrasado, pisar em algo melequento e mal-cheiroso antes de entrar num cinema lotado, ser parado numa blitz quando você está dirigindo o carro do seu irmão que odeia emprestar as coisas porque diz que você é um irresponsável que nunca anda com documentos.
As melhores: o telefone não pára de tocar no sábado e as ligações são todas pra você (considerando que você tenha 17 anos), o telefone não toca uma única vez no dia em que o amor da sua vida chega depois de uma viagem de dois meses (considerando que você tenha qualquer idade), comida de restaurante cinco estrelas, comida caseira depois de passar não sei quantos dias comendo em restaurante.
As piores: mosquito, reunião de condomínio, o porteiro eletrônico tocar bem na hora em que você está fazendo algo muito importante (tipo sexo) e você tem certeza de que é apenas o homem do gás e você não está precisando de gás mas fica se remoendo achando que pode ser algo urgente e, putz, vai atender e é o homem do gás.
As melhores: queijo, cheirinho de carro novo (de preferência, seu), chegar no check in do aeroporto e descobrir que não fizeram a reserva do assento como você solicitou, e a companhia aérea, sentidíssima pelo transtorno causado, transferiu sua passagem para a classe executiva.
As piores: no meio da festa alguém se oferecer para tocar violão, meia-calça que desfia antes mesmo de você chegar no trabalho, gente que se materializa na sua frente dizendo "lembra de mim?"e você nunca viu mais gordo.
A vida é boa nas pequenas coisas. Não há terrorismo no cotidiano.

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